As Cozinhas Solidárias de Sergipe têm ampliado sua atuação no enfrentamento à fome e no fortalecimento de ações comunitárias em diferentes regiões do estado. Ao todo, cinco unidades acompanham de perto a realidade de famílias urbanas e rurais, garantindo um conjunto de iniciativas que vai muito além da oferta de refeições prontas. Juntas, elas distribuem cerca de 1.800 refeições por mês, atendendo públicos diversos de mulheres e crianças a camponeses e jovens em situação de vulnerabilidade.
No município de Riachão do Dantas, a Cozinha Solidária Dona Zizi se tornou uma referência no combate à fome ao atender cerca de 500 famílias dos territórios de Riachão e Lagarto. Instalada em uma antiga unidade escolar cedida pela comunidade, a cozinha tem atuação fixa e também itinerante, levando refeições ao Centro de Educação de Capoeira, em uma região periférica de Lagarto, onde atende crianças e adolescentes que participam das atividades culturais do espaço.
De acordo com o coordenador da unidade, Alexandre Matos, a cozinha funciona no povoado Tanque, entre os dois municípios. “A gente trabalha hoje com em torno de 500 refeições mensais. Fazemos uma ação por semana e atendemos comunidades do município de Lagarto, como o bairro Jardim Campo Novo e a comunidade Campo do Criolo, além de diferentes regiões urbanas e rurais de Riachão”, explica.
Alexandre destaca que o trabalho da cozinha vai muito além da entrega de alimentos. “Ela tem uma importância muito grande para o nosso povo porque ajuda no combate à fome de forma incisiva”, afirma. As ações geralmente acontecem no período da noite, momento em que a maioria das famílias estão em casa. A estratégia também permite alcançar pessoas em situação de rua, especialmente nas áreas urbanas. “A gente reúne o pessoal, fornece as refeições e aproveita para bater um papo. Falamos sobre organização comunitária, sobre higiene, damos alguma orientação. Não é só comida: é esperança, é acolhimento.”
Segundo ele, a vulnerabilidade aparece tanto nos centros urbanos quanto nas áreas rurais. “Infelizmente, na zona rural também temos pessoas em situação de vulnerabilidade, e nosso papel é chegar até elas”, completa Alexandre Matos.
Outras unidades
Em Salgado, a Cozinha Solidária Sabores da Serena funciona de segunda a sexta-feira e mantém uma rotina intensa de atividades. Além das 400 refeições mensais distribuídas para moradores em situação de vulnerabilidade, mulheres vítimas de violência e crianças da região, o espaço oferece oficinas de costura, reforço escolar e atividades socioeducativas. A unidade opera em parceria com a Cáritas fortalecendo o vínculo com as políticas públicas locais.
A cidade de Umbaúba abriga a Cozinha Solidária Mulheres Camponesas, voltada ao atendimento de jovens e mulheres do campo. Com produção mensal de cerca de 300 refeições, a cozinha está diretamente ligada ao trabalho da agricultura familiar, especialmente à produção de farinha de mandioca e outros derivados, que fazem parte da dinâmica produtiva da comunidade. A unidade mantém uma presença contínua, atendendo regularmente o mesmo número de pessoas e reforçando a autonomia das mulheres envolvidas.
Em Estância, a Cozinha Solidária Tropical Sabores da Fonte Nova atende famílias camponesas da zona rural, muitas delas vivendo em condições de vulnerabilidade social. A unidade distribui 200 refeições por mês e desenvolve ações comunitárias que fortalecem a organização territorial, contribuindo para garantir alimentação saudável às famílias que, apesar de viverem no campo, ainda enfrentam dificuldades de acesso a alimentos básicos.
Na capital, a Cozinha Solidária Recanto Camponês, localizada em Aracaju, completa o conjunto de iniciativas do estado. Com produção de 400 refeições mensais, a unidade atende famílias de baixa renda, moradores de rua, imigrantes e integra os esforços da rede para ampliar a segurança alimentar nas áreas urbanas da região metropolitana.
Segundo a coordenadora-geral das cozinhas, Kauane Santos Batista, o trabalho realizado em Sergipe tem um papel fundamental no cuidado com as comunidades. “As cozinhas atendem mulheres, crianças, camponeses e famílias inteiras. Elas vão muito além do alimento. Oferecem acolhimento, atividades educativas, oficinas e apoio direto às pessoas que mais precisam”, afirma. Para ela, a atuação integrada entre campo e cidade tem fortalecido bem mais que o combate à fome, mas também a construção de redes de solidariedade e autonomia local.
Com presença ativa em cinco municípios, as Cozinhas Solidárias de Sergipe são geridas pela Associação Nacional pelo Fortalecimento da Agrobiodiversidade (AGROBIO) e seguem consolidando sua importância como ferramentas de inclusão social, apoio comunitário e promoção de segurança alimentar em todo o estado.









