Rede Sementes da Vida

Corredores agroecológicos fortalecem agricultura familiar e conservação do Cerrado em Goiás

Como uma estratégia concreta de fortalecimento da agroecologia, da conservação da biodiversidade e da autonomia produtiva no campo, a equipe do Projeto Rede Sementes da Vida: Cultivando a Biodiversidade e Fortalecendo a Agroecológica no Brasil, implantou no mês de dezembro, em Goiás, diversos corredores agroecológicos em propriedades da agricultura familiar. A iniciativa é executada no estado pela Central de Associações de Agricultores do Estado de Goiás (CAAEGO), no âmbito do Termo de Fomento nº 969610/2024.

A equipe técnica acompanhou o plantio de corredores agroecológicos e células de seleção de sementes crioulas nas regiões da Estrada de Ferro e Sudeste Goiano, com atividades realizadas nos municípios de Vianópolis, Orizona e Catalão. Entre os destaques está a implantação de corredores agroecológicos com variedades tradicionais de milho crioulo, como o Milho Taquaral, em Vianópolis, e o Milho Ribeirão, em Orizona. Em Catalão, foi implantada uma célula de seleção da variedade Milho Sol da Manhã, fortalecendo o processo de conservação, multiplicação e melhoramento participativo das sementes crioulas. Os plantios foram realizados pelos próprios agricultores, com apoio técnico e uso de insumos disponibilizados pelo projeto, como sementes e fosfato natural.

Além do plantio, o projeto promoveu visitas técnicas em parceria com a Embrapa Cerrados, envolvendo pesquisadores e agentes de transição agroecológica. As atividades tiveram como foco o acompanhamento do desenvolvimento das áreas agroecológicas e o levantamento de dados sobre serviços ecossistêmicos no bioma Cerrado, como ciclagem de nutrientes, fluxo de energia, conservação da água, regulação climática e manutenção da biodiversidade.

Agente de Transição Agroecológica em Goiás, Juliano César da Silva explicou que os corredores agroecológicos vão além da recuperação ambiental. “Eles representam uma estratégia estruturante de transição agroecológica, com impactos diretos na renda, na saúde e na autonomia das famílias agricultoras”, destaca.

Do ponto de vista econômico, a diversificação dos cultivos amplia as possibilidades de geração de renda, reduz a dependência de insumos externos e facilita o acesso a mercados diferenciados, como feiras locais, vendas diretas e programas institucionais. A formação de estoques próprios e bancos de sementes também fortalece a autonomia produtiva das famílias.

Os impactos sociais são igualmente relevantes. A produção diversificada garante alimentos saudáveis para o autoconsumo, fortalecendo a segurança e a soberania alimentar. A redução do uso de agrotóxicos melhora a qualidade de vida e a saúde dos agricultores e de suas famílias, enquanto a troca de saberes entre os chamados Guardiões de Sementes fortalece o conhecimento coletivo e a organização comunitária.

Ao integrar conservação ambiental, produção de alimentos e valorização dos saberes tradicionais, os corredores agroecológicos se consolidam como uma ferramenta para a sustentabilidade da agricultura familiar no Cerrado goiano, garantindo resiliência ecológica e social frente aos desafios climáticos e econômicos do campo.

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