Os municípios de Lagarto, Tomar do Geru e Umbaúba, em Sergipe, receberam nos dias 18 e 19 de abril mutirões de implantação de corredores agroecológicos promovidos pelo projeto Rede Sementes da Vida: cultivando a agrobiodiversidade e fortalecendo a agroecologia no Brasil. As atividades ocorreram no Câmpus do Instituto Federal de Sergipe, em Lagarto, no povoado Guarema, em Umbaúba, e no povoado Oiti, em Tomar do Geru.
Os corredores agroecológicos são áreas planejadas para integrar produção agrícola, conservação ambiental e diversidade de cultivos. Funcionam como redes que conectam espaços produtivos, fortalecendo o equilíbrio ecológico e ampliando a resiliência dos territórios rurais. Esses sistemas ajudam a recuperar o solo, conservar a umidade, reduzir processos erosivos e proteger a biodiversidade. Em um cenário de mudanças climáticas, também se tornam estratégicos para garantir produção de alimentos de forma sustentável.
Além dos ganhos ambientais, os corredores fortalecem a autonomia das famílias agricultoras. Com maior diversidade produtiva, os agricultores ampliam a oferta de alimentos saudáveis, reduzem a dependência de insumos externos e criam novas oportunidades de comercialização em feiras e programas institucionais.
Implantação
A implantação dos corredores começa ainda antes do plantio, com visitas técnicas e diálogo direto com as famílias camponesas. Nessa etapa, são identificadas áreas prioritárias a partir de critérios como disponibilidade de água, qualidade do solo e histórico de uso da terra.
Depois, agricultores e técnicos realizam o planejamento coletivo dos sistemas produtivos, definindo o consórcio de culturas como milho, feijão, mandioca e outras espécies, buscando diversidade, segurança alimentar e geração de renda. O preparo do solo segue princípios agroecológicos, com prioridade para adubação orgânica, cobertura vegetal e manejo sustentável, evitando o uso de insumos químicos.
Mutirões
Durante os mutirões, o trabalho ganha força coletiva. Homens, mulheres e jovens participam da limpeza das áreas, marcação dos canteiros e plantio das culturas. O processo também fortalece os laços comunitários, a troca de experiências e a valorização da identidade camponesa.
A ação contou com parceria do projeto Raízes Agroecológicas, apoio do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e da União Europeia (UE), coordenação do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e liderança técnica da Embrapa. Também participam a Agrobio e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), por meio do edital Da Terra à Mesa.
A expectativa é expandir os corredores agroecológicos para outros territórios sergipanos, ampliando os impactos positivos sobre a produção de alimentos, o meio ambiente e a organização das comunidades rurais.
Texto: Diego Eleonaldo







