O fortalecimento dos Sistemas Agroflorestais (SAFs), a organização produtiva das famílias e a conservação ambiental estiveram no centro de duas oficinas realizadas simultaneamente pelo Projeto Biodiversidade e Cadeias Produtivas: Restauração de Áreas Degradadas e Sustentabilidade Socioeconômica no Cerrado Goiano (BIOCA), nos municípios de Simolândia e Alvorada do Norte. As atividades integraram a programação da visita técnica aos territórios de atuação do projeto e reuniram agricultores e agricultoras, equipes técnicas, pesquisadores, representantes de instituições parceiras e apoiadores.
Em Simolândia, no Projeto de Assentamento Zumbi dos Palmares, as discussões envolveram o fortalecimento do Coletivo de Mulheres, o tema “Do SAF à Agroindústria” e o acesso às políticas públicas e ao Plano Safra. Já no PA Brunet, em Alvorada do Norte, os participantes debateram a relação entre nascentes e SAFs, restauração ambiental, fiscalização e meio ambiente, além dos direitos e deveres das famílias assentadas.
Dos SAFs à agroindústria
Coordenador-geral do BIOCA, Marcelo Mendonça destacou que o projeto já alcançou a meta de implantação de 81 Sistemas Agroflorestais na região e que o momento agora é de consolidar essas experiências e pensar nos próximos passos. “Já cumprimos a nossa meta, que são os 81 SAFs em toda a região. Podemos ampliar, mas esse é o momento de fortalecer o que nós temos e avançar para as agroindústrias”, afirmou.
Para Marcelo Mendonça, o desenvolvimento das cadeias produtivas é fundamental para ampliar as possibilidades de geração de renda a partir dos SAFs. A proposta é que, mais do que a produção, as famílias consigam agregar valor e acessar novos mercados. O baru foi citado como exemplo de produto nativo com potencial de comercialização dentro e fora do país.
Organização produtiva
As discussões também aproximaram o conhecimento produzido pelas universidades e instituições de pesquisa das experiências desenvolvidas pelas famílias no campo. O coordenador da Casa de Projetos Sociais da Universidade Federal de Goiás (UFG), Flávio Diniz, destacou a importância de envolver pesquisadores e professores em iniciativas relacionadas às cadeias produtivas existentes nos territórios. Segundo ele, produtos como baru, mandioca e hortaliças oferecem possibilidades para articular conhecimento, organização social e desenvolvimento das comunidades. A aproximação com a universidade pode contribuir para pensar processos de beneficiamento, organização produtiva e acesso a mercados.
A programação contou ainda com a participação de Marcos Antônio Oliveira, Técnico Agrícola da Embrapa Arroz e Feijão, e do professor Sigeo Júnior, da UFG, ampliando o diálogo sobre produção, conhecimento técnico e as possibilidades de fortalecimento das atividades desenvolvidas pelas famílias.
Cooperação
A oficina também permitiu aos participantes conhecer melhor a estrutura de financiamento e gestão que possibilita a realização das ações de restauração nos territórios. Representante do banco alemão de desenvolvimento KfW, Beatriz Rézio explicou que a instituição apoia iniciativas ambientais no Brasil e destacou a conservação como uma das pautas prioritárias da cooperação. No âmbito do Floresta Viva, os recursos destinados às ações passam pelo BNDES e chegam aos projetos de restauração selecionados para atuação nos territórios.
A Analista de Projetos do FUNBIO, Maria Affonso Penna, ressaltou o papel da instituição na gestão da iniciativa e no acompanhamento das ações executadas. Segundo ela, as visitas aos territórios são importantes justamente por permitirem conhecer de perto os resultados apresentados nos relatórios e, principalmente, as pessoas responsáveis por transformar o planejamento em ações concretas. “A gente viu nascentes que vão ser recuperadas, SAFs que já foram implantados e também a parceria com a prefeitura na recuperação de uma APP. Ficamos muito felizes de ver as pessoas que fazem o projeto acontecer”, destacou.
A passagem das equipes pelos municípios permitiu acompanhar diferentes frentes do BIOCA e observar como as ações de restauração se conectam à realidade das comunidades, à agricultura familiar e às parcerias estabelecidas localmente.
Cerrado de pé
Para o coordenador do BIOCA, Gustavo Silva, apresentar o projeto às comunidades e instituições durante as oficinas também é uma oportunidade de ampliar a compreensão sobre a proposta desenvolvida no Vão do Paranã. “O BIOCA trabalha com biodiversidade e cadeias produtivas. Aqui no Vão do Paranã, realizamos trabalhos com Sistemas Agroflorestais, nos quais produzimos alimentos e, ao mesmo tempo, colocamos o Cerrado de pé junto com essa produção”, ressaltou.
Em Alvorada do Norte, a oficina “Da Nascente ao SAF: Refletir para Agir” ampliou essa discussão ao relacionar a produção nos sistemas agroflorestais à proteção dos recursos naturais. A programação abordou ainda restauração ambiental e fiscalização, com participação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo (SEMATUR), e promoveu um momento para esclarecimento sobre direitos e deveres dos assentados com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).
Ao desenvolver atividades simultâneas com diferentes abordagens, o BIOCA buscou conectar as várias dimensões necessárias ao desenvolvimento dos territórios: restauração ambiental, produção de alimentos, organização comunitária, políticas públicas, pesquisa, geração de renda e conservação da biodiversidade.
Sobre o BIOCA
O BIOCA é uma iniciativa da Associação Nacional para o Fortalecimento da Agrobiodiversidade (AGROBIO), com financiamento da Petrobras e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do edital Corredores de Biodiversidade – Floresta Viva, com gestão do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO). O projeto atua na restauração ecológica, conservação da agrobiodiversidade e fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis no Cerrado Goiano.









