A equipe do Projeto Biodiversidade e Cadeias Produtivas: Restauração de Áreas Degradadas e Sustentabilidade Socioeconômica no Cerrado Goiano (BIOCA) realizou, nesta sexta-feira (13), um Dia de Campo na comunidade Engenho II, no município de Cavalcante (GO). A atividade reuniu cerca de 150 participantes, entre agricultores familiares, lideranças quilombolas, estudantes, pesquisadores e representantes de instituições parceiras.
O encontro foi marcado por momentos de diálogo, troca de experiências e debates sobre restauração ambiental, agroecologia e fortalecimento da agrobiodiversidade do Cerrado, temas centrais do projeto.
Os Dias de Campo integram a estratégia do BIOCA de aproximar conhecimento científico e saberes tradicionais, fortalecendo a participação das comunidades rurais e quilombolas nas ações de recuperação de áreas degradadas e na construção de modelos produtivos sustentáveis.
Para Flávio Diniz, coordenador da Casa Projetos Sociais da Universidade Federal de Goiás (UFG), iniciativas como o BIOCA demonstram na prática o papel da universidade na articulação entre ensino, pesquisa e extensão. Segundo ele, a presença da universidade em projetos voltados às comunidades é fundamental para fortalecer políticas públicas e promover o diálogo entre diferentes atores sociais. “A universidade tem como tripé o ensino, a pesquisa e a extensão. Ao mesmo tempo, ela tem o papel de auxiliar e fomentar políticas públicas, tanto no campo quanto na cidade. Projetos como o BIOCA são um bom exemplo dessa articulação, porque envolvem estudantes, pesquisadores, extensionistas e membros das comunidades, criando uma rede de colaboração fundamental para o sucesso das iniciativas”, destacou.
A parceria entre o projeto e as organizações locais também foi ressaltada por Carlos Pereira, presidente da Associação Quilombo Kalunga. Para ele, a cooperação tem gerado resultados importantes dentro do território, especialmente com a implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs). “O trabalho conjunto já permitiu a implementação de 24 sistemas agroflorestais no território quilombola, com a previsão de expansão para mais 25 neste ano. O SAF é um modelo de roça diversificada, onde plantamos alimentos como feijão e outras culturas em corredores ecológicos, junto com árvores, frutíferas e espécies do Cerrado. É um sistema que fortalece a produção, conserva o ambiente e amplia as possibilidades de geração de renda para as comunidades”, explicou.
Liderança histórica do território, o agricultor Cirilo dos Santos Rosa, de 71 anos, também destacou a importância das iniciativas que estimulam práticas produtivas alinhadas à preservação do bioma. “É um crescimento para a nossa base de sustentabilidade no Cerrado. Nós sobrevivemos ao Cerrado e precisamos mantê-lo vivo. Cada conhecimento que chega para fortalecer essa preservação é muito bem-vindo”, afirmou.
Para Esther Fernandes, vice-presidente da AQK, o projeto contribui diretamente para fortalecer a agricultura familiar e ampliar as oportunidades econômicas dentro das comunidades. “Esse projeto traz fortalecimento para a agricultura familiar dentro do território. Trabalhar com agrofloresta e agroecologia é fundamental para garantir sustentabilidade e também gerar renda para as famílias”, destacou.
Colaborador da Embrapa Arroz e Feijão, Marcos Antônio Rodrigues de Oliveira, explicou que a instituição contribui principalmente na orientação técnica para implantação dos Sistemas Agroflorestais e dos corredores agroecológicos.
Sobre o Bioca
O BIOCA é uma iniciativa da Agrobio, desenvolvida em parceria com instituições de pesquisa, organizações sociais e órgãos públicos.O projeto conta com financiamento da Petrobras e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do edital Corredores de Biodiversidade – Floresta Viva, cuja gestão é realizada pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO).



















