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Dia de Campo do Projeto Bioca reúne agricultores, estudantes e instituições em Divinópolis de Goiás

Cerca de 80 pessoas participaram, nesta quinta-feira (12), de mais uma edição do Dia de Campo do Projeto Biodiversidade e Cadeias Produtivas: Restauração de Áreas Degradadas e Sustentabilidade Socioeconômica no Cerrado Goiano (BIOCA). A atividade realizada em Divinópolis de Goiás, no Nordeste Goiano,  reuniu agricultores, estudantes, pesquisadores e representantes do poder público e de instituições parceiras para discutir práticas sustentáveis de produção e restauração do Cerrado.

Os acompanharam palestras e atividades formativas, incluindo a oficina guiada pela equipe da Saneago. Em seguida, o grupo seguiu para uma visita técnica ao Sistema Agroflorestal (SAF) implantado na propriedade da agricultora Maria Nalva Abreu Neiva. Durante a visita ao campo foram realizadas duas estações de aprendizado, uma conduzida por técnicos da Embrapa e outra mediada pela própria agricultora e pela equipe técnica do projeto, permitindo aos participantes conhecer na prática o funcionamento do SAF e seus benefícios para a produção agrícola e para a recuperação ambiental.

Professora da Universidade Estadual de Goiás (UEG), do Campus de Campos Belos, Luana Fernandes Melo, destacou a importância da participação dos estudantes em atividades práticas como o Dia de Campo. Segundo ela, o contato direto com experiências no território complementa o aprendizado teórico e amplia a compreensão sobre biodiversidade e cadeias produtivas sustentáveis. “A teoria é essencial, mas precisa desse complemento. Para os pesquisadores também é fundamental, porque muitas vezes ficamos dentro da universidade e dos laboratórios. Esse contato com agricultores familiares e com os sistemas produtivos fortalece o nosso conhecimento”, afirmou.

A estudante de agroecologia Janaína Oliveira Santos, da UEG de Campos Belos, também ressaltou a importância da troca de experiências promovida pelo projeto. “É uma experiência muito rica, uma troca muito generosa entre o saber científico, com especialistas, professores e orientadores de projetos, e o saber popular e tradicional da agricultura familiar. Esse encontro de conhecimentos fortalece muito o aprendizado”, destacou.

Ja a professora Franciele Rego Oliveira Brás, do Instituto Federal Goiano de Campos Belos evidenciou que a articulação entre instituições, agricultores e projetos de desenvolvimento territorial é fundamental para impulsionar o Nordeste Goiano. “É muito importante para o fortalecimento do território, especialmente do Nordeste Goiano, uma região que historicamente enfrenta muitos desafios. Essa união entre instituições e projetos fortalece as ações de pesquisa, extensão e, principalmente, o próprio território”, afirmou.

Técnico de nível superior do Projeto BIOCA, Jean Carlos Alves de Abreu explicou que a implantação dos Sistemas Agroflorestais (SAFs) enfrentou desafios iniciais, principalmente pela falta de conhecimento da comunidade sobre o modelo produtivo, mas segundo ele, a implantação foi um sucesso. “Inicialmente foi difícil porque o pessoal não conhecia o que era o SAF. Mas fomos explicando e, aos poucos, eles foram entendendo. Hoje vemos que deu certo e os agricultores gostaram muito da implantação”, relatou. 

Ele também destacou que o sistema tem contribuído para recuperar a produção agrícola tradicional da região, especialmente o cultivo do feijão. “Antigamente a região produzia muito feijão. As famílias colhiam até 80 sacas. Com o tempo vieram as pragas, o desmatamento e a diminuição da água. Agora, com o Sistema Agroflorestal, estamos conseguindo retomar essa produção”, explicou.

Sobre o projeto BIOCA

O BIOCA é uma iniciativa da Agrobio, desenvolvida em parceria com instituições de pesquisa, organizações sociais e órgãos públicos. O projeto conta com financiamento da Petrobras e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do edital Corredores de Biodiversidade – Floresta Viva, cuja gestão é realizada pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO).

A iniciativa promove uma abordagem integrada para a restauração ecológica do Cerrado, aliando conservação da biodiversidade, implantação de sistemas agroflorestais e fortalecimento das cadeias produtivas sustentáveis. O objetivo é ampliar a renda e melhorar a qualidade de vida das famílias agricultoras da região, ao mesmo tempo em que contribui para a recuperação de áreas degradadas e para a conservação do bioma Cerrado.

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