Rede Sementes da Vida

Pamonhada do Milho Crioulo celebra agricultura familiar no Nordeste Goiano 

O município de Buritinópolis, no Nordeste Goiano, recebeu nesta sexta-feira (15) a Pamonhada do Milho Crioulo, evento promovido pelo Movimento Camponês Popular (MCP), e pela Associação Nacional para o Fortalecimento da Agrobiodiversidade (Agrobio) por meio do projeto Biodiversidade e cadeias produtivas: Restauração de Áreas Degradadas e Sustentabilidade Socioeconômica no Cerrado Goiano. O encontro reuniu agricultores familiares, representantes de instituições parceiras, do governo federal e dos municípios de Buritinópolis, Simolândia, Alvorada do Norte comunitárias em uma celebração da agroecologia, das sementes crioulas e dos saberes tradicionais do campo, fortalecendo a integração comunitária e o papel da agricultura familiar na produção de alimentos saudáveis no Cerrado Goiano. 

Durante a programação, os participantes acompanharam o preparo coletivo das pamonhas produzidas com milho crioulo cultivado pelas famílias camponesas da região. Mais do que uma tradição alimentar, a atividade simbolizou a resistência dos povos do campo e a defesa da soberania alimentar.

Superintendente do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) em Goiás, Jéssica Brito, destacou a importância do evento para a valorização da agricultura familiar e das sementes crioulas. “A Pamonhada do Milho Crioulo celebra uma tradição alimentar da agricultura familiar goiana, mas também reafirma a importância da produção de alimentos saudáveis, da promoção dos saberes tradicionais e da conservação das sementes crioulas, que são a base da nossa alimentação”, afirmou. 

Segundo ela, o encontro também dialoga diretamente com as políticas públicas do governo federal voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar, garantindo acesso ao crédito, assistência técnica e incentivo à produção de alimentos de qualidade.

A secretária em exercício da Secretaria de Governança Fundiária, Desenvolvimento Territorial e Socioambiental do MDA, Maristella Matos, reforçou o papel da agricultura familiar para o país. “A agricultura familiar é o que sustenta o Brasil. Aqui vemos alimento saudável, produção coletiva e, acima de tudo, acolhimento e afetividade”, destacou.

Dirigente nacional do Movimento Camponês Popular (MCP), Lindenilson Silva, ressaltou que a pamonhada representa um momento de memória coletiva e valorização dos modos de vida camponeses. “É um ato coletivo. Uma pamonha coletiva onde os camponeses celebram a produção, a vida e a atividade comunitária. Produzir comida de verdade é fazer mutirão, fazer junto, preservar as variedades crioulas e transmitir esses conhecimentos para as novas gerações”, destacou.

Para Elcivaldo Barbosa, Mobilizador Territorial no projeto BIOCA, o evento representa um marco para a região. “É um motivo de muito orgulho realizar essa festa aqui na nossa cidade. Estamos mostrando nossa cultura, nossa colheita e a importância de produzir comida saudável e comida de verdade”, afirmou.

A programação também contou com a participação do padre Wagner Xavier, da Paróquia São Francisco Xavier, que destacou o caráter simbólico e comunitário da atividade. “Estamos aqui para celebrar a cultura do nosso povo, celebrar a vida e valorizar aquilo que nasce da terra. Isso é bom e precisa ser preservado”, disse.

Superintendente Regional da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), em Goiás, Luiz Carlos do Nascimento, lembrou que a pamonhada também é resultado das políticas públicas voltadas à aquisição e preservação de sementes crioulas. “Ver esse trabalho coletivo e comunitário acontecendo é muito gratificante para a CONAB”, afirmou.

O coordenador-geral do projeto BIOCA, Marcelo Mendonça, ressaltou a retomada das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento territorial e à inclusão produtiva no país. “Tudo isso só é possível porque houve a retomada dos investimentos sociais, ambientais e das políticas públicas para os territórios rurais. São esses homens e mulheres que produzem a comida que chega à mesa do povo brasileiro”, afirmou.

Sobre o projeto

O BIOCA, iniciativa da AGROBIO, conta com financiamento da Petrobras e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do edital Corredores de Biodiversidade – Floresta Viva, cuja gestão é realizada pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO). O projeto propõe uma abordagem integrada para a restauração ecológica, aliando conservação da biodiversidade e fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis no Cerrado Goiano.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima