Mais de 200 pessoas participaram, nesta terça-feira (10), do Dia de Campo promovido pelo Projeto Biodiversidade e Cadeias Produtivas: Restauração de Áreas Degradadas e Sustentabilidade Socioeconômica no Cerrado Goiano (BIOCA). O encontro foi realizado na propriedade do senhor Cícero Barbosa de Andrade, na Comunidade Quilombola Castelo, Retiro e Três Rios, no município de Alvorada do Norte (GO), reunindo agricultores familiares, pesquisadores, representantes de instituições públicas, movimentos sociais e autoridades locais.
A atividade integrou a agenda de formação e intercâmbio promovida pelo projeto, com foco na agroecologia, na restauração ambiental e no fortalecimento das cadeias produtivas da agricultura familiar. Com o tema “Mato que se come, água que se faz”, o Dia de Campo contou com uma oficina conduzida pela equipe da Saneago, que abordou a relação entre a biodiversidade do Cerrado, a alimentação e a conservação da água. A programação também incluiu palestras técnicas e visitas às áreas de produção.
Coordenador-geral do BIOCA, Marcelo Mendonça, destacou que o projeto atua na recuperação ambiental e na promoção de sistemas produtivos sustentáveis que ampliam a renda das famílias agricultoras. “O projeto tem dois focos principais. O primeiro é a recuperação de áreas degradadas, nascentes e matas ciliares. O segundo é a implementação de sistemas agroflorestais, que são áreas produtivas diversificadas que produzem alimentos e ajudam a fortalecer a renda das famílias”, explicou.
Segundo ele, o projeto também prevê a implantação de agroindústrias comunitárias, permitindo que os agricultores beneficiem seus produtos e ampliem as oportunidades de comercialização. “A proposta é incentivar a produção de alimentos e também possibilitar que esses produtos sejam beneficiados em agroindústrias, agregando valor e gerando renda. É o que chamamos de inclusão produtiva”, afirmou.
Marcelo Mendonça evidenciou ainda a importância do apoio da gestão municipal para a continuidade das ações. “A participação da Prefeitura de Alvorada do Norte, do prefeito Davi Moreira, dos secretários e vereadores é fundamental para que o projeto avance. Iniciamos as ações no ano passado e ainda teremos mais três anos de trabalho no município e em toda a região”, disse.
Para o agricultor Cícero Barbosa de Andrade, anfitrião do Dia de Campo, a participação no projeto já trouxe mudanças importantes para a família. “Depois que entramos no projeto, paramos de usar veneno. A saúde da família melhorou muito. Já começamos a vender nossa produção para a comunidade, para fazendas e também para a cidade. Isso representa um ganho muito grande para o nosso povo quilombola”, relatou.
O superintendente do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) no Distrito Federal e RIDE, Lukas Nunes, ressaltou a importância da articulação entre instituições e movimentos sociais para fortalecer a agricultura familiar. “São parcerias que ajudam a desenvolver a agricultura familiar. O plantio de sistemas agroflorestais contribui para a recuperação do Cerrado e para a geração de renda. Essa rede formada pelo BIOCA, MDA, UFG, Saneago, Embrapa e outros parceiros é fundamental para fortalecer a agricultura familiar no Nordeste Goiano”, afirmou.
O professor Sigeo Kitatani Jr, da Universidade Federal de Goiás (UFG), destacou o papel da universidade na construção de conhecimento junto às comunidades. “É por meio da extensão que conseguimos atravessar os muros da universidade e interagir com a comunidade, trocar conhecimentos e desenvolver ações que contribuam para o desenvolvimento do país”, explicou.
Além de diversas autoridades do município, o evento contou com a presença de representantes da Agrobio, Embrapa, UFG, MDA, INCRA DF, Saneago e do Movimento Camponês Popular (MCP).
Sobre o BIOCA
O BIOCA é uma iniciativa da Agrobio, desenvolvida em parceria com instituições de pesquisa, organizações sociais e órgãos públicos.O projeto conta com financiamento da Petrobras e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do edital Corredores de Biodiversidade – Floresta Viva, cuja gestão é realizada pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO).
A iniciativa propõe uma abordagem integrada para a restauração ecológica do Cerrado, aliando conservação da biodiversidade, implantação de sistemas agroflorestais e fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis, contribuindo para ampliar renda e qualidade de vida das famílias agricultoras do Cerrado Goiano.































