Rede Sementes da Vida

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ACAMPONESA contrata empresas para fornecimento de insumos e sementes crioulas do Projeto Rede Sementes da Vida

A Associação Camponesa de Agrobiodiversidade e Comida Saudável (ACAMPONESA) iniciou o processo de contratação de empresas para o fornecimento de insumos agrícolas e sementes crioulas destinados à implementação de corredores agroecológicos no âmbito do Projeto Rede Sementes da Vida: Cultivando a Biodiversidade e Fortalecendo a Agroecologia no Brasil. Entre os itens previstos na contratação estão insumos agrícolas como fosfatado, calcário dolomítico e óleo de neem, além de kits de sementes crioulas diversificadas, compostos por variedades de arroz, feijão, milho crioulo e espécies de adubação verde. Ao todo, serão adquiridos 20 kits de sementes, sendo que cada kit contém quatro quilos de milho crioulo, quatro quilos de feijão de cor e dois quilos de adubação verde, com possibilidade de escolha de até quatro espécies diferentes. A iniciativa busca ampliar a diversidade genética nas áreas produtivas, fortalecer a produção agrícola sustentável e incentivar práticas alinhadas aos princípios da agroecologia, contribuindo para a recuperação de áreas degradadas e para a construção de corredores agroecológicos nos territórios atendidos pelo projeto. A contratação das empresas fornecedoras é fundamental para garantir a execução adequada das atividades previstas no Plano de Trabalho e o alcance dos resultados esperados, especialmente no que diz respeito ao fortalecimento dos corredores agroecológicos e à valorização das sementes crioulas como patrimônio dos povos do campo.

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Rede Sementes da Vida lança TdR para aquisição de insumos e sementes crioulas em Minas Gerais

A Associação Camponesa de Agrobiodiversidade e Comida Saudável (ACAMPONESA) lançou o Termo de Referência nº 02/2025, que orienta a contratação de empresas para o fornecimento de insumos agrícolas e sementes crioulas destinadas à implementação de corredores agroecológicos em Minas Gerais. O documento integra as ações do projeto “Rede Sementes da Vida: cultivando a agrobiodiversidade e fortalecendo a agroecologia no Brasil”, executado pela Associação Nacional para o Fortalecimento da Agrobiodiversidade (AGROBIO). O Termo de Referência prevê a aquisição de insumos agrícolas, como fosfato, calcário dolomítico e óleo de neem, além da compra de kits de sementes crioulas diversificadas, incluindo variedades de milho crioulo, feijão de cor, arroz, gergelim, girassol e espécies para adubação verde. Ao todo, estão previstos: Esses materiais serão utilizados na implantação de corredores agroecológicos, estratégia que promove a diversificação produtiva, o equilíbrio ecológico, a conservação da biodiversidade e o fortalecimento da autonomia dos agricultores e agricultoras. A entrega dos insumos e sementes ocorrerá na sede da ACAMPONESA, em Ipatinga (MG), de onde os materiais serão distribuídos conforme o cronograma do projeto Da Terra à Mesa. Participação Empresas interessadas em participar do processo de fornecimento devem ser pessoas jurídicas legalmente constituídas, com objeto social compatível, registro ativo e capacidade de emissão de nota fiscal e comprovação de entrega dos produtos. Os principais prazos estabelecidos no Termo de Referência são: O valor estimado da contratação é de R$ 10.512,02, calculado a partir de pesquisa de preços detalhada, conforme anexo do Termo de Referência. O Termo de Referência nº 02/2025 está disponível na íntegra em anexo nesta publicação.

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MCP promove roda de conversa sobre direito à alimentação no bairro do Cordeiro

O Movimento Camponês Popular (MCP) realizou, nesta quinta-feira (22), uma roda de conversa na Cozinha Solidária MCP Cordeiro, em Recife, para debater o Direito Humano à Alimentação Adequada e a Vivência das Mulheres Diante da Fome. A atividade aconteceu na Comunidade do Sítio dos Pimentas e reuniu cerca de 20 participantes. O encontro abriu espaço para o diálogo sobre insegurança alimentar, divisão do trabalho doméstico e responsabilidade coletiva no enfrentamento da fome. Durante a conversa, relatos evidenciaram que, em situações de escassez, o cuidado com a alimentação recai majoritariamente sobre as mulheres, que muitas vezes deixam de comer para garantir o alimento de outras pessoas da família. A participação de homens no debate ampliou a reflexão sobre corresponsabilização e a necessidade de compartilhar o cuidado com a comida dentro dos lares. Para a mediadora Sandra Hortêncio, a Cozinha Solidária vai além da distribuição de alimentos. “É um espaço de organização popular, formação política e defesa de direitos”, destacou. A atividade foi encerrada com a partilha do alimento, reafirmando o princípio que orienta as Cozinhas Solidárias do MCP de que comida não é favor, é direito, e o combate à fome se constrói coletivamente.

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Corredor agroecológico em Catalão destaca papel dos guardiões de sementes

A propriedade de dona Marivalda e seu Tiãozinho, na Comunidade Sucupira, em  Catalão (GO), recebeu nesta terça-feira (21), uma atividade de campo voltada à avaliação de célula de seleção de sementes crioulas. A iniciativa, executada pela Associação Nacional para o Fornecimento da Biodiversidade (Agrobio), em parceria com o Movimento Camponês Popular (MCP) Goiás, integra os projetos Da Terra à Mesa e Biodiversidade e Cadeias Produtivas: Restauração de Áreas Degradadas e Sustentabilidade Socioeconômica no Cerrado Goiano (Bioca). A atividade reforçou o papel dos corredores agroecológicos como estratégia de conservação da agrobiodiversidade, fortalecimento da agricultura camponesa e valorização dos guardiões e guardiãs de sementes. A ação contou com a participação dos pesquisadores da Embrapa Cerrados, Cynthia Machado e Altair Machado, além da presença de representantes das comunidades Kalunga de Monte Alegre e Cavalcante, da Comunidade Zumbi dos Palmares, do Barreiro e de comunidades vizinhas. Também esteve presente representantes da Comunidade São Pedro, de Guarani de Goiás, ampliando o intercâmbio de saberes entre povos e territórios tradicionais. O foco da visita foi o corredor agroecológico da Marivalda, caracterizado como uma célula de seleção, espaço onde o plantio é direcionado à seleção e multiplicação de sementes, com destaque para a semente de milho Eldorado, além de variedades de arroz e feijão. A proposta do corredor é incentivar a variabilidade genética das espécies, princípio fundamental para a resiliência dos sistemas produtivos e para a soberania alimentar. Durante a atividade, os pesquisadores da Embrapa apresentaram aspectos técnicos relacionados ao processo de seleção de sementes dentro do sistema agroecológico, ressaltando a importância do manejo feito pelos agricultores familiares.  Na sequência, Marivalda compartilhou sua trajetória dentro do MCP e falou sobre a transição agroecológica em curso em sua propriedade, destacando os desafios e conquistas desse processo. O momento de fala foi seguido por uma roda de conversa e troca de conhecimentos entre pesquisadores, agricultores e representantes das comunidades presentes. A programação incluiu ainda uma caminhada pelo corredor agroecológico, onde foi possível observar, na prática, as etapas de seleção das sementes e o funcionamento do sistema produtivo. O encontro foi encerrado com um almoço coletivo preparado pelas mulheres da Cozinha Solidária do MCP, reforçando os laços comunitários e o caráter coletivo da iniciativa.

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Corredores agroecológicos ganham destaque em Dia de Campo realizado em Catalão

A Associação Nacional para o Fortalecimento da Agrobiodiversidade (Agrobio), em parceria com o Movimento Camponês Popular (MCP) de Goiás, realizou nesta terça-feira (20) um Dia de Campo na Fazenda Corinalves, na comunidade Olhos D’Água, em Catalão (GO). A atividade teve como objetivo apresentar alternativas viáveis e sustentáveis ao modelo hegemônico do agronegócio, com visita ao corredor agroecológico implantado na propriedade do agricultor Jamil Corinto, referência em práticas agroecológicas no território. O encontro reuniu agricultores, técnicos, pesquisadores e representantes de organizações sociais para trocar experiências e aprofundar o debate sobre a agroecologia como caminho para a produção de alimentos saudáveis, conservação da biodiversidade e o fortalecimento da agricultura camponesa. A iniciativa reforçou que é possível produzir para além do uso de agrotóxicos, valorizando a agrobiodiversidade e os processos naturais dos ecossistemas. Pesquisadores da Embrapa Arroz e Feijão, Embrapa Cerrados e Embrapa Suínos e Aves participaram do Dia de Campo apresentando os fundamentos técnicos e os resultados dos corredores agroecológicos, desenvolvidos em parceria com a Embrapa Cerrados. Na ocasião, Altair Toledo Machado e Cynthia Machado destacaram que os corredores são áreas planejadas com base nos princípios da agroecologia, como a diversidade, a rotação de culturas e o consórcio entre espécies, elementos centrais para o equilíbrio produtivo e ambiental. Os corredores agroecológicos cumprem funções estratégicas, como a ampliação da variabilidade genética, o estímulo ao consórcio de espécies, o controle biológico de insetos e o fortalecimento da fertilidade do solo. “A diversidade de plantas favorece o equilíbrio do agroecossistema, reduz pragas e doenças e cria condições mais saudáveis para o desenvolvimento das culturas”, pontuou Altair Machado. Bioca Durante a roda de conversa, técnicos do projeto Bioca, compartilharam experiências de implementação de corredores agroecológicos em diferentes municípios de Goiás, como Divinópolis, Guarani de Goiás, Simolândia, Buritinópolis e Alvorada do Norte. A troca de saberes ocorreu em uma roda de conversa, fortalecendo o diálogo entre ciência, técnica e conhecimento popular.  A visita evidenciou como a agroecologia pode ser aplicada no cotidiano da agricultura familiar, conciliando produção, conservação ambiental e autonomia camponesa. Da Terra à Mesa Coordenador-geral do projeto Da Terra à Mesa, Murillo Notine explicou que a atividade é um intercâmbio para troca de experiências entre as equipes e uma avaliação do desenvolvimento dos corredores agroecológicos.  Executada pela Agrobio, a ação integra os projetos Da Terra à Mesa e Biodiversidade e Cadeias Produtivas: Restauração de Áreas Degradadas e Sustentabilidade Socioeconômica no Cerrado Goiano (Bioca) e reafirma o compromisso das organizações envolvidas com a construção de modelos agrícolas mais diversos e sustentáveis.

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Cozinhas Solidárias reforçam segurança alimentar em comunidades urbanas e rurais de Sergipe

As Cozinhas Populares Solidárias de Sergipe realizaram, nos dias 14 e 15 de janeiro, ações de doação de alimentos voltadas a famílias em situação de vulnerabilidade social em áreas urbanas e rurais do estado. Na quarta-feira (14), a Cozinha Solidária Recanto Camponês, localizada no bairro São José, em Aracaju, promoveu a doação de 200 cestas básicas para famílias de ocupações urbanas no município de Nossa Senhora do Socorro. A ação beneficiou moradores das ocupações Maria Carolina de Jesus e Jardim das Palmeiras. As famílias atendidas vivem em contextos de vulnerabilidade, com pouco ou nenhum acesso a políticas públicas de assistência social e segurança alimentar. Segundo a coordenadora-geral das Cozinhas Solidárias de Sergipe, Kauane Batista, a atuação tem sido contínua. “Há cerca de quatro meses mantemos ações mensais nessas comunidades, levando comida de verdade e fortalecendo a solidariedade entre campo e cidade”, afirmou. Já no dia 15 de janeiro, a Cozinha Solidária de Umbaúba ampliou o atendimento a comunidades rurais do município, beneficiando famílias dos povoados Riacho do Meio, Campinhos, Pau Amarelo e Guararema. Além da distribuição em ponto fixo, a equipe realizou entregas domiciliares para pessoas com dificuldade de locomoção. Para a coordenadora da Cozinha Solidária de Umbaúba, Ivonilde Henrique Moreira Nascimento, a ação vai além da doação de alimentos. “Garantir que essas famílias recebam alimento é garantir dignidade e cuidado com quem mais precisa”, destacou. As ações integram a Rede Nacional de Cozinhas Solidárias, articulada pelo Movimento Camponês Popular (MCP), com apoio do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). A entidade gestora da iniciativa é a Associação Nacional de Fortalecimento da Agrobiodiversidade (Agrobio).

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Agrobio realiza segunda chamada e atualiza seleção de Agente de Transição Agroecológica em Goiás

A Associação Nacional de Fortalecimento da Agrobiodiversidade (Agrobio) anunciou nesta quarta-feira (14) a realização de segunda chamada no processo seletivo para contratação de Agentes de Transição Agroecológica, no âmbito do projeto Rede Sementes da Vida: Cultivando a Biodiversidade e Fortalecendo a Agroecologia no Brasil. A iniciativa é desenvolvida em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), por meio do Termo de Fomento nº 969610/2024. Tendo em vista a desistência do primeiro colocado no processo seletivo para o território de Goiás, a Agrobio informa a atualização do profissional selecionado para atuar no estado. Com a segunda chamada, o nome anteriormente divulgado foi substituído, passando a ser selecionada Maria Eduarda da Aparecida Costa, que assumirá a função de Agente de Transição Agroecológica em Goiás. Com duração prevista de 20 meses, o projeto Rede Sementes da Vida tem como foco a implementação de corredores agroecológicos, a capacitação de agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais e a promoção da produção de sementes crioulas e alimentos agroecológicos. A iniciativa tem como meta beneficiar diretamente 1.600 famílias em 71 municípios, alcançando de forma indireta mais de 3.200 famílias em diferentes regiões do país. Os Agentes de Transição Agroecológica exercem papel fundamental no acompanhamento das comunidades, no suporte técnico às famílias, na sistematização de experiências e no fortalecimento da formação de multiplicadores locais, contribuindo para a consolidação de práticas produtivas sustentáveis nos territórios atendidos.

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Cozinha  Solidária Nova Canaã garante segurança alimentar para famílias em ocupações urbanas de Goiânia

Localizada no coração da Ocupação Nova Canaã, na região do Conjunto Vera Cruz I, em Goiânia, a Cozinha Popular Solidária Nova Canaã tem se consolidado como uma iniciativa fundamental no combate à fome e à insegurança alimentar em territórios marcados pela vulnerabilidade social. A cozinha atende diretamente mais de 200 famílias da ocupação e também alcança comunidades vizinhas, como as ocupações Alfredo Nasser e Nova Jerusalém, ampliando seu impacto social. Na quinta-feira (08), a cozinha distribuiu 678 refeições, garantindo uma marmita por pessoa para as famílias atendidas. No cardápio do dia estavam arroz, feijão, frango, macarrão com salsicha, farofa e salada, uma refeição completa, preparada coletivamente por moradores da própria comunidade. A iniciativa é executada pela Agrobio, em parceria com o Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras por Direitos (MTD-GO) e o Movimento Camponês Popular (MCP-GO), reforçando o papel das organizações populares na construção de soluções concretas para o enfrentamento da fome. Além de garantir o acesso diário à alimentação, a Cozinha Popular Solidária Nova Canaã também atua como espaço de geração de renda. As refeições são preparadas majoritariamente por mulheres da própria ocupação. Coordenadora da Cozinha Nova Canaã, Marta Clemente evidenciou que a atividade cumpre um papel que vai além da alimentação, ela fortalece vínculos comunitários, promove dignidade e reafirma a comida como um direito.

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Corredores agroecológicos fortalecem agricultura familiar e conservação do Cerrado em Goiás

Como uma estratégia concreta de fortalecimento da agroecologia, da conservação da biodiversidade e da autonomia produtiva no campo, a equipe do Projeto Rede Sementes da Vida: Cultivando a Biodiversidade e Fortalecendo a Agroecológica no Brasil, implantou no mês de dezembro, em Goiás, diversos corredores agroecológicos em propriedades da agricultura familiar. A iniciativa é executada no estado pela Central de Associações de Agricultores do Estado de Goiás (CAAEGO), no âmbito do Termo de Fomento nº 969610/2024. A equipe técnica acompanhou o plantio de corredores agroecológicos e células de seleção de sementes crioulas nas regiões da Estrada de Ferro e Sudeste Goiano, com atividades realizadas nos municípios de Vianópolis, Orizona e Catalão. Entre os destaques está a implantação de corredores agroecológicos com variedades tradicionais de milho crioulo, como o Milho Taquaral, em Vianópolis, e o Milho Ribeirão, em Orizona. Em Catalão, foi implantada uma célula de seleção da variedade Milho Sol da Manhã, fortalecendo o processo de conservação, multiplicação e melhoramento participativo das sementes crioulas. Os plantios foram realizados pelos próprios agricultores, com apoio técnico e uso de insumos disponibilizados pelo projeto, como sementes e fosfato natural. Além do plantio, o projeto promoveu visitas técnicas em parceria com a Embrapa Cerrados, envolvendo pesquisadores e agentes de transição agroecológica. As atividades tiveram como foco o acompanhamento do desenvolvimento das áreas agroecológicas e o levantamento de dados sobre serviços ecossistêmicos no bioma Cerrado, como ciclagem de nutrientes, fluxo de energia, conservação da água, regulação climática e manutenção da biodiversidade. Agente de Transição Agroecológica em Goiás, Juliano César da Silva explicou que os corredores agroecológicos vão além da recuperação ambiental. “Eles representam uma estratégia estruturante de transição agroecológica, com impactos diretos na renda, na saúde e na autonomia das famílias agricultoras”, destaca. Do ponto de vista econômico, a diversificação dos cultivos amplia as possibilidades de geração de renda, reduz a dependência de insumos externos e facilita o acesso a mercados diferenciados, como feiras locais, vendas diretas e programas institucionais. A formação de estoques próprios e bancos de sementes também fortalece a autonomia produtiva das famílias. Os impactos sociais são igualmente relevantes. A produção diversificada garante alimentos saudáveis para o autoconsumo, fortalecendo a segurança e a soberania alimentar. A redução do uso de agrotóxicos melhora a qualidade de vida e a saúde dos agricultores e de suas famílias, enquanto a troca de saberes entre os chamados Guardiões de Sementes fortalece o conhecimento coletivo e a organização comunitária. Ao integrar conservação ambiental, produção de alimentos e valorização dos saberes tradicionais, os corredores agroecológicos se consolidam como uma ferramenta para a sustentabilidade da agricultura familiar no Cerrado goiano, garantindo resiliência ecológica e social frente aos desafios climáticos e econômicos do campo.

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Projeto Bioca realiza oficina de bioinsumos e fortalece agroecologia em Alvorada do Norte

A equipe do projeto Biodiversidade e Cadeias Produtivas (Bioca) realizou nesta terça-feira (16) para mais uma ação de fortalecimento da agroecologia no Nordeste Goiano. A atividade aconteceu no município de Alvorada do Norte, na residência de dona Maria de Fátima Pereira, área onde está sendo implantado um Sistema Agroflorestal (SAF) como parte das ações do projeto. A iniciativa reuniu beneficiários, técnicos e parceiros locais em uma oficina prática sobre produção e uso de bioinsumos. De acordo com o professor Marcelo Mendonça, coordenador do projeto, a atividade integra uma agenda contínua de formação das famílias beneficiárias dos SAFs, com foco no manejo agroecológico. “Essa área é uma APP, às margens do Rio Corrente, que está sendo restaurada pelo projeto. As oficinas fazem parte do processo de preparar os beneficiários para o manejo adequado dos sistemas agroflorestais, a partir dos insumos que eles já têm em suas próprias realidades”, explicou. Durante a oficina, foram apresentados e preparados bioinsumos utilizando materiais simples e disponíveis no território, como folhas de mamona, urina de vaca, leite cru, folhas de neem e de fumo. A equipe também apresentou a cartilha de bioinsumos do projeto, com diferentes receitas, algumas delas elaboradas coletivamente durante a atividade. “A ideia é valorizar os conhecimentos, os saberes e os fazeres que essas famílias já possuem, ao mesmo tempo em que trazemos informações técnicas para que elas possam fazer um manejo mais eficiente dos SAFs”, destacou Marcelo Mendonça. As oficinas de bioinsumos têm como objetivo fortalecer a autonomia das comunidades na produção de defensivos naturais e biofertilizantes, reduzindo a dependência de insumos externos e promovendo práticas que respeitam a biodiversidade local. A proposta busca apoiar o controle de insetos e microrganismos que comprometem a produção de alimentos, além de estimular a vida no solo, elemento central para a sustentabilidade dos sistemas produtivos. A abordagem dialoga com os princípios defendidos pela pesquisadora Ana Primavesi, para quem um solo vivo e saudável é a base para plantas e pessoas saudáveis. A metodologia adotada é participativa e parte das demandas reais das famílias agricultoras. Ao longo da atividade, foram trabalhados conceitos básicos sobre o que são bioinsumos, as diferenças entre defensivos naturais e biofertilizantes e a apresentação de cinco receitas práticas, com orientações detalhadas sobre preparo e aplicação. O processo busca construir, de forma coletiva, soluções viáveis, acessíveis e sustentáveis para o fortalecimento da produção agroecológica. O SAF implantado na propriedade de dona Fatinha carrega também um forte significado simbólico e ambiental. Segundo ela, a escolha da área foi motivada por um sonho antigo e pelo desejo de recuperar um espaço profundamente degradado. “Essa área aqui foi muito explorada há 30, 40 anos, quando retiraram o cascalho para fazer o asfalto. Eu ficava muito triste de ver tudo isso sem vida. Sempre sonhei em construir um SAF, mas não sabia por onde começar”, contou a proprietária. Hoje, a área já apresenta sinais de regeneração, com o plantio de espécies como baru, pequi, tamarindo e outras típicas do Cerrado. “Mesmo depois de terem tirado tudo, a terra vai regenerando. Eu sou apaixonada por isso. Quero produzir o que vou consumir, para minha família, para doar e também para vender. A ideia é tornar essa área uma referência do que é possível fazer no Cerrado”, afirmou dona Fatinha. Para o professor Marcelo Mendonça, o local demonstra, na prática, o potencial da restauração ambiental aliada à produção de alimentos. “Aqui foi retirada a vegetação, ainda assim, é possível recuperar. A restauração ambiental é isso: mostrar que áreas degradadas podem voltar a produzir vida, alimento e água”, ressaltou. A ação conta com o apoio da Prefeitura de Alvorada do Norte, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Presente na atividade, o secretário Leonardo Victor Carvalho destacou a importância do projeto para o município. “O Bioca chegou em boa hora. Logo no início da gestão, tivemos contato com o projeto e entendemos que o SAF é uma solução ambiental e produtiva. Ele permite produzir alimento, gerar renda e, ao mesmo tempo, manter a sustentabilidade”, afirmou. Segundo o secretário, os sistemas agroflorestais representam uma alternativa concreta frente ao avanço da degradação do Cerrado. “Quando a gente planta Cerrado, a gente planta água. A vegetação nativa favorece a recarga dos aquíferos e contribui para a segurança hídrica. Aqui estamos mostrando que é possível manter o Cerrado em pé, gerar trabalho, renda e inclusão produtiva”, destacou. A experiência desenvolvida em Alvorada do Norte reforça a proposta do projeto Bioca de integrar restauração ambiental, agroecologia e fortalecimento das comunidades rurais, demonstrando que existem caminhos sustentáveis e ancestrais de uso da terra que vão além dos monocultivos e contribuem para a conservação do bioma Cerrado.

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